Mesmo com juros elevados, mercado imobiliário de 2025 fecha em alta e já mira 2026
O ano de 2025 ficará marcado pela resistência do setor imobiliário brasileiro diante da Selic nos patamares mais altos da última década. Apesar de juros médios acima de 13% ao ano, juros altos no crédito e restrições para boa parte dos compradores, o mercado acelerou graças a subsídios, inovação em produtos e adaptação rápida das imobiliárias.
Alta da Selic e os reflexos no financiamento habitacional
Com a taxa básica de juros próxima de 13,75%, os bancos foram mais cautelosos ao liberar crédito imobiliário. Muitas simulações de financiamento passaram a apresentar prestações até 40% maiores do que em 2024, reduzindo poder de compra e obrigando famílias a rever o orçamento. Ao mesmo tempo, instituições financeiras criaram faixas de renda mais flexíveis e prazos estendidos (até 35 anos) para amenizar o peso das parcelas.
O protagonismo do Minha Casa, Minha Vida
A força do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi decisiva em 2025. Representando cerca de 50% das vendas de lançamentos novos, ele garantiu condições de juros ao redor de 5% ao ano para famílias de baixa renda. Subvenções federais e estaduais, aliadas a descontos de construtoras em terrenos e infraestrutura, abriram espaço para comercializar 500 mil unidades em todo o país, especialmente no Norte e Nordeste.
Surfe no mercado de usados: mais espaço por menos preço
Quando a bola quicou para o mercado de usados, vimos uma migração clara de compradores que buscavam unidades até R$ 500 mil. Com metro quadrado até 20% mais barato do que em lançamentos, imóveis prontos passaram a brigar ponto a ponto, oferecendo mudança imediata, mobília incluída e bairros já consolidados. Nos grandes centros, apartamentos antigos em prédios clássicos tiveram procura recorde.
Crescimento da locação e o boom dos studios
As exigências de entrada nas compras, que chegaram a 30% para imóveis de médio padrão, impulsionaram o aluguel. Ao mesmo tempo, o conceito de “studios” – quitinetes com design moderno e serviços de hotelaria – conquistou investidores em busca de rendimento mensal ou de temporada (via plataformas como Airbnb). O resultado foi um incremento de 15% no faturamento de locação corporativa e de curta duração.
Descompasso entre vendas e lançamentos: estoque em alerta
No segundo trimestre, vendas recuaram 8% enquanto lançamentos subiram 12%. Construtoras, temendo saturação, passaram a oferecer descontos de até 10% e taxas zero no primeiro ano de condomínio. Com isso, o estoque nacional alcançou 120 mil unidades não vendidas, pressionando preços em cidades como São Paulo e Curitiba. Fique de olho: esse volume crescente de imóveis prontos pode forçar promoções contínuas em 2026.
Estratégias das imobiliárias para sobreviver e crescer
Frente ao cenário, as imobiliárias investiram pesado em:
• Tecnologia: tours virtuais em 3D, CRM integrado e atendimento via WhatsApp Business.
• Processos: automação de contratos e assinatura digital, reduzindo burocracia em 30%.
• Capacitação: treinamento de equipes em negociação consultiva, inteligência de mercado e marketing digital.
Com isso, mantiveram carteira ativa e conseguiram converter leads mais qualificados, apesar do custo operacional ter subido 18% em salários e aluguéis.
O que esperar em 2026: juros menores e retomada do apetite
A perspectiva de corte da Selic para cerca de 12% ao ano deve destravar o mercado de médio e alto padrão. Parcela de R$ 3.000 em 20 anos, que hoje custa R$ 5.000, cairá para R$ 4.300, aproximando a compra da faixa de renda de 7 a 10 salários mínimos. Além disso:
• Investidores devem realocar recursos da renda fixa (com CDBs rendendo 8%) para imóveis, em busca de valorização e renda passiva.
• Incorporadoras retomarão lançamentos maiores, equilibrando terrenos e insumos com custos financeiros mais baixos.
• Projetos residenciais de co-living e condomínios de alto padrão ganharão força, atraindo jovens profissionais e executivos.
Lições de 2025 para garantir sucesso no próximo ciclo
2025 reforçou que o mercado imobiliário é resiliente, mas exige:
• Estratégia de preços alinhada ao perfil do comprador.
• Eficiência operacional, reduzindo tempo de venda e custo de aquisição de clientes.
• Inovação em produtos (studios, co-living, moradias populares) e serviços (fintechs, certificações digitais).
• Equipes treinadas para entregar consultoria de verdade, mostrando o valor de cada condomínio e o potencial de investimento.
Aqueles que investirem em tecnologia, inteligência de dados e diferenciação de portfólio estarão na frente quando 2026 entrar em ritmo acelerado. O mercado se prepara para a virada e abre espaço para empresas ágeis, focadas em qualidade e experiência do cliente.

Blog dos Imóveis
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