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Expectativas do mercado imobiliário para 2024: análise essencial

O mercado imobiliário brasileiro enfrenta um novo desafio em 2024 com a estagnação da taxa Selic. Após um primeiro trimestre promissor, o setor agora se vê diante de um cenário incerto que pode desacelerar seu crescimento.

No início de 2024, havia um clima de otimismo. O crescimento da renda e a expansão do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) traziam esperanças de um mercado mais robusto. Contudo, mudanças nas condições econômicas, como a interrupção dos cortes na Selic e as incertezas na política monetária dos Estados Unidos, trouxeram novos desafios às projeções de crescimento.

A taxa Selic, atualmente fixada em 10,5%, é um aspecto crucial que influencia diretamente o crédito imobiliário. A suspensão do ciclo de redução da taxa e o aumento dos juros americanos complicam ainda mais o cenário para compra e venda de imóveis no Brasil. A desconfiança quanto à sustentabilidade da política fiscal do governo brasileiro também gera apreensões, à medida que gastos públicos mais elevados podem pressionar a inflação e, consequentemente, levar a um aumento na Selic.

Além disso, o MCMV, que se mostrou essencial para o crescimento do setor em 2023, já não consegue manter o mesmo ritmo. Espera-se que as novas diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relacionadas ao uso de títulos privados, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), tornem o financiamento imobiliário menos acessível e mais caro.

Embora os dados ainda não sejam definitivos, o sentimento é que, com a nova configuração, o mercado ficará menos atraente para novos compradores e investidores. A tendência é que haja uma redução no ritmo de crescimento dos financiamentos, após um período de significativa expansão.

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Por outro lado, o mercado de locação continua a se manter forte. Entre janeiro e junho de 2024, a taxa de crescimento dos aluguéis, que era de 16,2%, estabilizou em 14,9%, mas ainda assim é uma marca importante. A pressão exercida pelo aumento do dólar pode influenciar o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustes de locação, demonstrando que a natureza do mercado de aluguel é distinta, mas igualmente afetada pela economia.

Entre as boas notícias, o desemprego está em queda e a renda da população cresceu 11,7% em 2023, o maior aumento desde o Plano Real. Isso pode contribuir para um cenário mais otimista a longo prazo, influenciando a disposição da população para comprar ou alugar imóveis.

Em vista do que se observa, a expectativa é de que o mercado imobiliário mantenha um crescimento aquecido, mas com uma desaceleração no ritmo. As consequências das mudanças nas políticas monetárias e fiscais podem resultar em um mercado mais contido até o final de 2024 e começo de 2025. Esse contexto sugere um “pouso suave” para o setor imobiliário, preparando-o para um novo ciclo de crescimento quando as condições econômicas se estabilizarem e a taxa Selic estiver em um nível mais favorável.

Este contexto atual do mercado mobiliário nos ensina que a articulação entre políticas monetárias, fiscais e sociais é fundamental para determinar a saúde e a projeção do setor, impactando diretamente a vida de milhões de brasileiros que dependem desse mercado. A continuidade de monitoramento e análise cuidadosa das mudanças será essencial para todos os envolvidos.