O mercado imobiliário brasileiro vive uma guinada: investidores e compradores têm saído dos grandes centros em busca de destinos que ofereçam mais qualidade de vida, segunda residência e oportunidades de valorização. Um estudo da consultoria DWV, que analisou mais de 111 mil imóveis, aponta três cidades litorâneas do Sul do país como as grandes estrelas de 2025, com R$ 6 bilhões em volume geral de vendas: Porto Belo e Itajaí, em Santa Catarina, e Torres, no Rio Grande do Sul.
Tendências que impulsionam as cidades emergentes
• Descentralização de investimentos: o capital migra de capitais e metrópoles para cidades de porte médio, com infraestrutura turística e potencial de crescimento.
• Valorização de imóveis de alto padrão: condomínios resort, vista para o mar e acabamentos premium têm puxado para cima o valor do m².
• Público comprador mais informado: hoje, o foco não é só a capacidade de pagamento, mas retorno financeiro, segurança e bem-estar.
Torres (RS): falésias e exclusividade em alta
Localizada no litoral norte gaúcho, Torres atrai turistas pelo Festival Internacional de Balonismo e seis praias que somam 23 km de orla. A população gira em torno de 43 mil habitantes, com PIB per capita de R$ 35 mil.
• VGV total em 2025: R$ 150 milhões (ante R$ 163 milhões em 2024).
• Unidades vendidas: 61 (foram 87 em 2024).
• Valor do m²: de R$ 17 mil passou para R$ 20 mil.
O recuo no número de vendas contrasta com o salto no preço do metro quadrado, sinal de que quem adquire imóvel em Torres busca exclusividade e qualidade. Para Dagoberto Fagundes, cofundador da DWV, “o mercado de alto padrão em Torres atrai compradores que querem não só morar bem, mas investir em imóveis seguros e de luxo”.
A Black Investimentos Imobiliários reforça essa percepção:
• Ticket médio subiu de R$ 1,4 milhão (2024) para R$ 2,1 milhões (2025).
• VGV cresceu de R$ 60 milhões para R$ 90 milhões.
Segundo Gabriel Quiroga, fundador da Black, o público de Torres é “mais consciente e preparado”, composto por empresários, profissionais liberais e clientes de outras regiões ou países, que valorizam uma abordagem consultiva e relações de longo prazo.
Porto Belo (SC): águas calmas e boom imobiliário
Com cerca de 31,5 mil habitantes e PIB per capita de R$ 65,5 mil, Porto Belo tem praias de águas esverdeadas e está próxima de Itapema, já famosa pelo boom do litoral catarinense. Famosos como Celso Portiolli e Neymar Jr. investiram em empreendimentos locais, reforçando o apelo do destino.
• VGV em 2025: R$ 4 bilhões (contra R$ 2,8 bilhões em 2024).
• Unidades vendidas: quase 3,5 mil (eram 2,3 mil em 2024).
• Valor do m²: de R$ 13,4 mil subiu para R$ 13,9 mil.
João Pedro Russi Resner, presidente da Russi & Russi Construtora, destaca o desenvolvimento urbano e o mix de entretenimento e gastronomia: “Porto Belo ainda tem muito espaço para crescer, principalmente pela sua localização estratégica.” Em 2025, a Russi & Russi comercializou 34 unidades, com ticket médio de R$ 1,6 milhão e VGV de R$ 52 milhões.
O corretor Marcos Vaz relata mudança no perfil do comprador:
• Ticket médio passou de R$ 1,2 milhão (2024) para R$ 1,9 milhões (2025).
• VGV saltou de R$ 12 milhões para R$ 27 milhões.
“Investidores que antes miravam Balneário Camboriú ou Itapema agora veem Porto Belo como ‘a nova fronteira de valorização’”, diz Vaz. Ele também alerta para a necessidade de escolher bem as construtoras, já que o ritmo acelerado atraiu empresas sem lastro sólido.
O corretor Gabriel Paes complementa:
• VGV caiu de R$ 22 milhões (2024) para R$ 15,3 milhões (2025), com menor quantidade de unidades (18 para 11).
• Trabalha com ticket médio de R$ 1,6 milhão e foca clientes do agronegócio e de capitais de diversas regiões.
“É um mercado em expansão, mas exige due diligence rigorosa sobre a solidez das incorporadoras.”
Itajaí (SC): porto forte e mercado interno aquecido
Itajaí congrega 294 mil habitantes e é sede do segundo maior complexo portuário do país. O PIB per capita é de R$ 210 mil. Além de forte vocação logística, a cidade oferece praias como a Brava, referência para surfistas.
• VGV em 2025: R$ 1,9 bilhão (ante R$ 1,3 bilhão em 2024).
• Unidades vendidas: 1,4 mil, contra 915 no ano anterior.
• Valor do m²: de R$ 13 mil subiu para R$ 16 mil.
André Pereira, gerente da incorporadora NF Empreendimentos, ressalta que Itajaí tem base sólida de compradores locais buscando “upgrade” em suas residências. O ticket médio da NF é de R$ 980 mil. Em 2025, o VGV da empresa saltou de R$ 104 milhões para R$ 289 milhões, e o número de unidades vendidas passou de 134 para 244. Segundo ele, a liquidez dos imóveis torna o planejamento de novos lançamentos muito mais previsível.
O resultado é um mercado estável, menos dependente de especulação, e com crescente interesse também de investidores de fora, atraídos pela rentabilidade de aluguéis e pela valorização constante.
Quem observar o mapa de lançamentos imobiliários em 2026 perceberá que as grandes oportunidades estão naquelas cidades médias litorâneas que oferecem infraestrutura turística, padrão elevado de construção e público comprador disposto a pagar mais por qualidade de vida, segurança e retorno de investimento. Corretores, incorporadoras e investidores que chegarem primeiro e atuarem com expertise local terão vantagem competitiva para conquistar este mercado em franca expansão.

Blog dos Imóveis
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