Londres lidera vendas de imóveis com prejuízo no Reino Unido
Pela primeira vez em pelo menos uma década, quem vende imóvel em Londres enfrenta maior risco de prejuízo em comparação a qualquer outra região da Inglaterra e do País de Gales. Relatório da corretora Hamptons revela que, em 2025, 15% dos londrinos fecharam negócio abaixo do preço pago originalmente — quase o dobro da média nacional de 8,7%.
Por que a valorização imobiliária virou aposta arriscada
Até meados dos anos 2010, investir em imóvel na capital britânica parecia garantia de lucro. Entre 2012 e 2016, os preços dispararam, e proprietários comemoravam ganhos acima de 40% em poucos anos. Hoje, porém, a combinação de impostos mais altos, custos de manutenção e regulação rigorosa para investidores transformou o cenário:
– Imposto de selo (stamp duty) mais salgado para quem compra casa.
– Previsto imposto sobre mansões (properties acima de £ 2 mi) a partir de 2026.
– Aumento das taxas de serviço e dos aluguéis de terreno em empreendimentos fechados.
– Regras rígidas para investidores de buy-to-let, que elevaram custos e reduziram demanda.
Como resultado, alguns proprietários chegaram a conceder descontos de até 50% para liquidar rapidamente seus imóveis em 2025.
Impacto do Mansion Tax e novas projeções
O famigerado “mansion tax” deve derrubar ainda mais o valor das residências de alto padrão. A Hamptons estima que, em 2026, imóveis avaliados acima de £ 2 mi sofrerão desvalorização adicional de cerca de 5%. Isso porque compradores pressionam por abatimentos maiores diante do aumento da tributação e da oferta crescente de propriedades de luxo.
Apartamentos x casas: diferença gritante no prejuízo
Em Londres, vender um apartamento virou negócio muito mais arriscado do que negociar uma casa térrea ou geminada. Dados de 2025 apontam que quem colocou flat à venda teve seis vezes mais chance de amargar prejuízo do que o vendedor de casa. Entre os motivos:
– Ground rents (aluguéis de terreno) que drenam parte da receita.
– Altas service charges para manutenção de prédios e áreas comuns.
– Regulamentação antipoluição sonora e de locação que encarece reformas.
Mesmo assim, o proprietário londrino médio ainda lucrou 45% sobre o valor inicial. Esse ganho, porém, é fruto de anos de alta intensa até 2016, e não de transformação recente do mercado.
A virada histórica: Norte vs. Sul da Inglaterra
Curiosamente, o Nordeste da Inglaterra foi o “campeão” de prejuízos em nove dos dez anos anteriores a 2025. Em 2019, cerca de 30% dos vendedores de lá saíram no vermelho, comparados a apenas 9,2% em Londres. Com o norte experimentando valorização mais acelerada nos últimos meses, a balança se inverteu — e a capital assumiu o topo negativo no quesito imóveis vendidos abaixo do preço de compra.
O que esperar para compradores e vendedores
– Vendedores que adquiriram entre 2012 e 2016 podem se arrepender de ter comprado no auge do mercado.
– A desaceleração nacional de preços deve limitar a margem de lucro nos próximos anos.
– Compradores mais cautelosos terão oportunidade de barganhar, sobretudo em flats de alto custo.
– Investidores de longo prazo devem avaliar custos de manutenção e tributação antes de fechar negócio.
Com seu mercado mais desencontrado entre promessas de lucro e riscos fiscais, Londres deixa de ser a aposta quase certa de outrora e passa a exigir estratégia e análise ainda mais precisas de quem quer entrar ou sair do mercado imobiliário.
Em meio a impostos inflacionados e regulamentações acompanhadas de perto por quem assiste a jogos de poder à la House of Cards, vender ou comprar imóvel na capital britânica requer vista longa e resistência. O cenário atual prova que nem sempre o tapete vermelho do boom imobiliário garante uma saída triunfal — e, para muitos britânicos, a lição saiu cara.

Blog dos Imóveis
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